A definição de Universidade vem de universalidade, conjunto de escolas de instrução superior destinadas ao ensino, pesquisa e extensão. Nela o conhecimento é transmitido por meio do ensino, produzido por meio da pesquisa e aplicado à sociedade por meio da extensão. E assim se faz o tripé que a sustenta em sua função social.
Infelizmente, não é o que temos vivenciado. A Universidade cada vez mais é colocada sob perspectivas mercadológicas, regida pela lógica neoliberal, onde os meios apontam para mesma direção, o lucro. Muitos dos estudantes que nela ingressam apenas visualizam, ao término de quatro/cinco/seis anos de formação, um diploma e a possibilidade de se inserir no mercado de trabalho com um salário melhor do que aqueles cujas chances de acesso ao ensino superior são reduzidas ao mínimo.
Ensinar para quem? Os ditos graduandos tem se interessado cada vez menos pelo saber. Uma das perguntas mais freqüentes em sala de aula é: "Usarei isso onde na minha profissão?" E logo o desinteresse se instala na mente do alunado.
Pesquisar para quê? Inseridas nessa cultura de mercado, as pesquisas fomentadas nas Universidades tem sido cada vez mais, descartáveis, não-relevantes em saciar as necessidades de uma sociedade ferida pelo acúmulo da riqueza por uns e a falta de perspectivas de vida em outros.
Extensão? Existe? Os chamados projetos de extensão a muito não condizem com a sua real finalidade. Eles são a oportunidade de transformar a realidade da comunidade local por meio do que é produzido na Universidade. Mas o que se tem visto é exatamente o contrário. A sociedade está posta apenas como simples objeto de estudo para futuros profissionais que aumentarão a discrepância entre os ricos e pobres dessa nação. E assim sustentando os vícios de uma sociedade onde todos pagam mas somente alguns poucos tem acesso ao ensino público superior, dito de qualidade.
Universidade para quem? Para quê? Medo. Grandes pensadores e figuras de influência em nossa sociedade passam por aqui. Injustiça, desigualdade, acúmulo da riqueza, o fim do meio-ambiente, também passam por aqui a partir do momento em que nos colocamos frente aos fatos com uma posição tão passiva, acrítica. Que nós passemos por ela a cumprir com a sua real função: contribuir para uma sociedade melhor, quebrar correntes que nos prendem ainda ao século XV.

